Travessia Marins x Itaguaré - Piquete - SP

Pico do Marinzinho, Pedra Redonda e Pico do Itaguaré
Cruzando as cristas da Serra da Mantiqueira que marcam a divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais a Travessia Marins x Itaguaré liga dois dos principais picos desta cadeia montanhosa dona de belos cenários e grandes desafios.

Pico dos Marins
O Pico do Marins é o ponto culminante do estado de São Paulo, com 2.420 metros de altitude, e também o 26º ponto mais alto do Brasil de acordo com o Anuário Estatístico de 2011 do IBGE. O Pico do Itaguaré, com 2.308 metros de altitude é o 31º ponto mais alto do Brasil e também está entre os maiores da Serra da Mantiqueira. A trilha ainda cruza outros dois picos: Marinzinho e Pedra Redonda

Os 13 quilômetros de extensão da travessia, não incluindo na conta a subida dos picos do Marins e Itaguaré, podem ser feitos em um único dia no estilo “light and fast” ou em mais dias para quem prefere contemplar as belezas do lugar com mais calma. Belezas essas que não são poucas, já que a caminhada por cristas proporciona o melhor visual possível no montanhismo.

Pico do Itaguaré
O cenário que acompanha o caminho é formado pelo Vale do Paraíba, pelas montanhas do sul de Minas e pela Serra Fina, sempre imponente.

Desafios também não são poucos, a falta de água é o maior deles e o constante sobe e desce proporcionado pelo terreno acidentado é outro que exige uma boa resistência física. Em alguns trechos a escalaminhada através das paredes de rocha exige uma atenção redobrada para evitar acidentes.

A trilha descrita nesse post foi realizada sem a subida dos picos do Marins e Itaguaré por uma questão de tempo. Caso haja o interesse em subir ambos os picos, o ideal é realiza-la em três dias.

A trilha (1º dia):

A travessia é iniciada no Acampamento Base Marins. São aproximadamente 6,7 km até o acampamento da Pedra Redonda, onde é feito o pernoite.

Subida do Marins
Partindo do Acampamento Base Marins, são percorridos aproximadamente 650 metros através de uma floresta densa até chegar a uma estrada de terra, por onde a trilha segue subindo por mais 1,2 km até o Morro do Careca.

O Morro do Careca é o primeiro local onde se pode acampar e o último ponto da trilha com água confiável. O riacho onde é possível abastecer os cantis fica um pouco escondido. Chegando ao Morro do Careca a trilha deixa de percorrer a estrada e segue por uma bifurcação à direita, para chegar ao riacho deve-se seguir à esquerda na bifurcação, por mais 20 metros, e em seguir pela primeira trilha à direita. No final desta trilha fica o riacho.

Flores na subida do Marins
A partir do Morro do Careca a trilha continua ao lado da placa que marca o “inicio” da trilha. Após seguir por um breve trecho de mata a trilha chega à crista, onde a vegetação passa a ser predominantemente composta por Capim Elefante e o terreno se torna mais rochoso.

É neste ponto que uma maior experiência de navegação é necessária para manter-se no caminho certo. Existem alguns totens de pedra e setas pintadas nas pedras para orientar quanto ao caminho certo.

Subida contornando os picos
Na crista, o Pico dos Marins estará sempre à direita e a trilha contorna dois picos pela esquerda, um pequeno e outro maior. É neste momento que a trilha passa a ficar mais complicada e onde é importante ter cuidado já que qualquer resgate nesta região é muito complicado.

Chegando ao primeiro pico existe um trecho onde a trilha some entre os blocos de pedra e é preciso lembrar que ela seguirá para a esquerda contornando este pico e passando por alguns lances de escalaminhada.

Ao contornar o segundo pico os trechos de escalaminhada se intensificam e será necessário escalar uma rocha, de aproximadamente 4 metros de altura, por uma fenda. Logo após contornar este segundo pico a trilha segue em direção ao cume do Pico dos Marins.

Seguindo em direção ao Marinzinho
Até este ponto a trilha é a mesma para quem vai ao cume do Pico dos Marins ou para quem fará a travessia. A bifurcação não é clara, já que a trilha segue por lajes de pedra. A referência para a bifurcação é a área de camping que existe assim que se chega à base do Pico dos Marins e que está localizada antes da nascente do Ribeirão Passa Quatro. Existem totens que marcam o caminho correto.

A água da nascente do Ribeirão Passa Quatro não é indicada para consumo, pois devido ao baixo fluxo e à proximidade de alguns locais para acampamento pode estar contaminada. Situação que se agrava em períodos de estiagem.

Acampamento referência para a
bifurcação. Visto da subida do
Marinsinho
A subida do Pico do Marinzinho é feita através da parede rochosa logo que a caminhada em direção ao seu cume é iniciada, e não através do pequeno vale formado por ele e por um pico secundário ao seu lado como muitas pessoas pensam. A subida é marcada por diversos totens. A primeira parte da subida termina em um pequeno vale onde é necessário cruzar um trecho de charco através do capim elefante.

Ao cruzar o charco a trilha segue contornando o paredão rochoso pela esquerda e nesse ponto é necessário atenção para não seguir pelo caminho errado. Durante a subida que contorna o paredão existem totens que seguem em frente e totens que indicam a subida à direita em direção ao pico. O caminho correto é subir em direção ao pico e cruzá-lo por cima.

Subida do Marinzinho
A chegada ao Pico do Marinzinho é marcada por uma placa que indica as direções dos picos Pedra Redonda e Itaguaré ou Pico dos Marins.

Depois de chegar ao cume do Marinzinho, a trilha passa sob alguns blocos grandes de rocha e inicia uma forte descida em direção ao vale que separa o Pico do Marinzinho da crista que segue para a Pedra Redonda. É nesse ponto que se encontra o trecho mais perigoso da travessia, uma descida quase vertical onde é necessário o uso de corda fixa existente no local. São três cordas com diferentes estados de conservação, a mais nova é a corda vermelha que segundo informações teria sido instalada em Abril de 2012. Seu estado de conservação é bom.

Crista vista do cume do Marinzinho
A trilha segue descendo através do íngreme terreno até o fundo do vale e em seguida inicia uma forte subida até atingir a crista que leva à Pedra Redonda.

Quando a travessia começa a percorrer a crista até a Pedra Redonda a navegação torna-se um pouco mais difícil porque em alguns trechos existem bifurcações e em outros a trilha deixa de ser visível. A dica é contornar os dois pequenos cumes que existem antes da Pedra Redonda, pela esquerda.

Corda fixa na descida do Marinzinho
A chegada à Pedra Redonda fecha o primeiro dia da travessia e revela que na verdade a Pedra Redonda não é tão redonda assim.

O camping fica em um pequeno vale atrás da Pedra Redonda e o espaço para barracas não é grande, comporta no máximo 5 barracas de tamanho médio para pequeno. Caso já esteja ocupado, a opção é seguir em frente por mais 300 metros até outro local com espaço para cerca de 3 barracas, ou por mais 1,2 km até uma área maior com espaço para mais barracas.

A trilha (2º dia):

Por do sol na Pedra Redonda
O segundo dia começa com um pequeno desafio: encontrar a continuação da trilha. Isso porque os primeiros metros cruzam um bambuzal bem fechado, tornando difícil encontrar o caminho. É necessário voltar alguns metros pela trilha que desce da Pedra Redonda em direção à área de acampamento e ficar atendo à esquerda, você verá uma trilha bem fechada, siga por ela e poucos metros adiante o caminho fica mais aberto.

Pedra Redonda e Marinzinho
vistos do acampamento
Após uma breve subida será possível avistar toda a crista que segue em direção ao Pico do Itaguaré. É uma longa descida até chegar ao primeiro dos 3 vales que serão atravessados até o Pico do Itaguaré. Neste trecho a trilha encontra-se bem demarcada, porém em alguns pontos ela torna-se quase invisível devido ao capim elefante que se fecha sobre ela. Quando chega-se a um desses pontos é necessário procurar pelos próximos totens e abrir o capim elefante a fim de visualizar a trilha que encontra-se bem demarcada.

Caminho para o Itaguaré
Após cruzar os vales e picos a trilha chega à subida final em direção ao Pico do Itaguaré. Neste trecho existem duas grutas onde será necessário tirar a mochila das costas para passar.

Chegando à base do Pico do Itaguaré a trilha bifurca, quem vai subir o pico segue pela direita e quem vai descer em direção ao acampamento base Itaguaré segue pela esquerda. Esta bifurcação é marcada por uma pedra, á direita da trilha, onde está escrita a direção do Pico dos Marins em tinta amarela.

Marins ficando para trás
A navegação pela base do pico do Itaguaré é difícil devido à grande quantidade de bifurcações, causadas provavelmente por pessoas que seguem o caminho errado. Existem totens indicando o caminho correto, fique atento!

Antes de iniciar a descida final pela crista, a trilha cruza uma pequena ravina onde existe um ponto de água. Em época mais chuvosa é possível coletar água neste ponto, já em épocas mais secas tudo o que existe são poças de água parada e não recomendada para consumo.

Face norte do Itaguaré
Cruzando a ravina a trilha vai seguindo por um trecho de lajes de pedra, sempre demarcada por totens, até chegar à mata fechada por onde segue descendo sem bifurcações até chegar ao acampamento base Itaguaré. Próximo ao final, no último quilômetro, da descida existe o primeiro ponto de água potável desde o Morro do Careca. É um rio relativamente caudaloso onde é possível coletar água para consumo. Até o final da travessia a trilha irá cruzar mais dois rios.

O acampamento base Itaguaré marca o final da travessia e é um grande campo gramado ao lado da estrada de terra onde é possível acampar e onde normalmente é combinado o encontro do resgate.

Onde ficar:

O Milton, proprietário do Acampamento Base Marins, oferece a opção de pernoite em seu abrigo, estacionamento e banho na volta. Também é possível combinar o resgate através dele.

Em todos os casos é interessante entrar em contato antecipadamente, mas para pernoitar no abrigo é necessário agendar previamente com o Milton através dos contatos:

Telefone (11) 9770-1991
E-mail: basemarins@yahoo.com.br

O clima:

O Pico dos Marins está localizado na região que possui a menor média de temperatura anual. A temperatura mínima pode chegar a 0ºC no Verão e -12ºC no inverno quando as geadas são frequentes.

A melhor época do ano para a subida vai de maio a setembro, quando chove menos e o tempo fica mais estável.

Como chegar ao Acampamento Base Marins:

Existem duas opções para chagar ao Acampamento Base Marins. Uma é pelo Bairro dos Marins e a outra é pela Fazenda Saiqui. Independente da opção escolhida é recomendado um carro alto e atenção especial em épocas de chuva.

O acesso pelo Bairro dos Marins é mais curto, porém é uma subida mais íngreme onde o caminho alterna entre uma estrada pavimentada e trechos péssimos de terra.
O acesso pela Fazenda Saiqui é mais longo e todo o percurso é de estrada de terra ruim, porém a estrada é mais plana.

Via Bairro dos Marins de São Paulo (229 km) ou Rio de Janeiro (259 km):

• Acesse a rodovia BR-459 (Lorena – Itajubá) pela saída 51 da Rodovia Presidente Dutra e siga por 16 km.
• Ao passar por Piquete siga por 800 metros e acesse, à direita, a Estrada Vicinal José Rodrigues Ferreira (ou Estrada Municipal Imbel – Marins).
• Siga por 13 km até o Bairro dos Marins.
• Ao cruzar o bairro siga pela estrada de bloquetes à esquerda por mais 5,4 km.
• Ao cruzar a divisa de SP/MG, demarcada pelas imagens de São Miguel Arcanjo e Nsa. Senhora Aparecida, siga por 400 metros e vire à direita.
• Chegando a uma porteira com a placa da APA Mantiqueira, você chegou ao Acampamento Base Marins.

Via Fazenda Saiqui de São Paulo (264 km) ou Rio de Janeiro (294 km):

• Acesse a rodovia BR-459 (Lorena – Itajubá) pela saída 51 da Rodovia Presidente Dutra e siga por 28 km até o trevo de Venceslau Brás.
• Ao passar pelo trevo de Venceslau Brás siga por mais 1.500 metros e fique atento a um ponto de ônibus, à direita, com uma estrada de terra atrás.
• Vire a direita na estrada de terra e siga pela estrada principal por 12 km até a Fazenda Saiqui.
• Ao chegar à vila, siga à direita por mais 1,7 km até um pequeno trevo.
• Ao chegar no pequeno trevo, siga à direita por 700 metros.
• Chegando a uma porteira com a placa da APA Mantiqueira, você chegou ao Acampamento Base Marins.

Dicas:
  • Planeje como será feito o resgate no final da travessia. Existe a possibilidade de contratar uma van ou combinar com o Milton (do Acampamento Base Marins) para que ele faça o resgate com o seu carro.
  • Sempre inicie a caminhada bem cedo a fim de evitar ter que caminhar durante a parte mais quente do dia.
  • Não existem pontos de água durante a travessia. O primeiro ponto de água confiável está localizado a 1 km do inicio da travessia, no Morro do Careca, e o último está localizado a 1 km do final da travessia.
  • A água existente na base do Pico dos Marins e na base do Pico do Itaguaré não é confiável e só existe em épocas de chuva.
  • Procure caminhar com uma calça comprida e uma camisa de manga longa. O capim elefante e os bambus que dominam a paisagem são bem incômodos e podem cortar e machucar.
  • Não se esqueça de levar um bom protetor solar. São poucos os trechos onde há sombra.
  • Caso não haja espaço para acampar na base da Pedra Redonda existem alguns lugares seguindo a trilha mais a frente.

Importante!
  • A preservação deste ou de qualquer outro ambiente natural depende de nós.
  • Não faça fogueiras.
  • Bons locais de acampamento são encontrados, não feitos.
  • Traga todo seu lixo de volta, inclusive cascas de frutas e papel higiênico.
  • Não lave panelas, defeque ou urine próximo aos pontos de água. Assim como você, outros dependem destes pontos para coletar água potável.
  • Não “vá ao banheiro” próximo à trilha e enterre suas fezes.
  • Use sempre o bom senso e nunca deixe de praticar as técnicas de mínimo impacto.

Planilha de distâncias:


Distâncias relativas e aproximadas em relação ao início da trilha no Acampamento Base Marins



Ponto
Distância
Altitude
Ponto
Distância
Altitude
Acampamento Base Marins
0 m
1.561 m
Pico do Marinzinho
5,6 km
2.381 m
1ª Porteira
600 m
1.600 m
Corda Fixa
5,7 km
2.352 m
Estrada
640 m
1.592 m
1º Vale
6,1 km
2.252 m
2ª Porteira
850 m
1.614 m
Pedra Redonda
6,75 km
2.307 m
1º Mirante
1,2 km
1.684 m
4º Acampamento (5 Barracas)
6,8 km
2.280 m
2º Mirante
1,3 km
1.697 m
5º Acampamento (3 Barracas)
7,1 km
2.253 m
3º Mirante
1,5 km
1.716 m
6º Acampamento
7,9 km
2.146 m
1ª Bifurcação
1,6 km
1.740 m
7º Acampamento
8,3 km
2.150 m
Morro do Careca
1,84 km
1.797 m
8º Acampamento
8,4 km
2.151 m
1º Ponto de Água
2,1 km
1.772 m
2º Vale
8,6 km
2.095 m
1º Acampamento (6 Barracas)
2,3 km
1.786 m
9º Acampamento
9,35 km
2.186 m
Início da crista
2,45 km
1.807 m
3º Vale
9,8 km
2.181 m
Platô
2,97 km
1.973 m
Grutas
10 km
2.177 m
2º Acampamento (4 Barracas)
3 km
1.982 m
Bifurcação para subida do Itaguaré
10,2 km
2.209 m
Portal
3,3 km
2.038 m
10º Acampamento
10,2 km
2.195 m
1º Pico
3,6 km
2.080 m
2º Ponto de Água (Não Confiável)
10,3 km
2.182 m
Vale confuso
3,5 km
2.069 m
11º Acampamento
10,4 km
2.184 m
Rampa
3,75 km
2.065 m
3º Ponto de Água
12,1 km
1.646 m
3º Acampamento (5 Barracas)
3,9 km
2.089 m
4º Ponto de Água
12,7 km
1.576 m
Lance de escalada
4,4 km
2.208 m
Placa
12,9 km
1.562 m
Charco
5,15 km
2.288 m
5º Ponto de Água
13,1 km
1.531 m
2º Pico
5,4 km
2.368 m
Acampamento Base Itaguaré
13,2 km
1.546 m



Altimetria:

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 Resumo:

Data da trilha: 25/08/2012
Nível de dificuldade: Médio/Pesado
Tempo: 2 dias
Distância percorrida: 13,2 km
Ganho de elevação: 1.101 m
Perda de elevação: -1.148 m
Altitude máxima: 2.330 m


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Tracklog:


Previsão do tempo:




2 comentários:

Samuel Oscar disse...

Parabens pelo site... muito bom o trabalho que vc tem feito.... concerteza vai ajudar a muita gente

Marcelo Marcos disse...

Fantástico seu blog !!! Parabéns !!!! Estou pesquisando para fazer a travessia Marins X Itaguare, e no seu blog tem tudo. Muito obrigado pela oportunidade e por compartilhar conosco suas experiências. Um forte abraço !!!